A Lua…

“Com a taça na mão, interrogo a lua. 
A lua está no céu sombrio. Quando chegou?
Pouso a minha taça, para fazer-lhe esta pergunta.
Os que querem apanhar a lua não o podem conseguir.

No entanto, no seu curso, a lua acompanha os homens.
É deslumbrante como um espelho voador, diante do Pavilhão Vermelho.
As brumas azuis se extinguem e desparecem e seu puro esplendor cintila.
Vê-mo-la somente à noite subir do mar e perder-se nas nuvens.


Os homens de hoje não veem mais a lua de outrora.
A lua de hoje iluminava os homens do passado.
Homens do passado, homens de hoje – torrente que flui – todos contemplam a lua que a todos parece a mesma.
 Tudo o que desejo é que, a hora de cantar e beber o luar se reflita sempre no fundo da taça de ouro.”

Poemas Chineses / Li Po e Tu Fu: Tradução de Cecília Meireles; introdução de Alexei Bueno – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.


Você sabia que, para os Chineses a lua cescente, quando lhe falta somente um pedaço para surgir, é a mais bonita? Justamente porque lhe falta um pedaço, isto é, ainda existe algo por fazer para que fique mais bonita ainda!